Polo busca novos negócios

Objetivo é atrair indústrias de transformação

Indústrias do polo têm vantagens estratégicas, com a malha logística e usinas hidrelétrica e termelétricas

Com o empurrão da melhora dos indicadores econômicos do país, o Polo de Cubatão pretende aproveitar suas vantagens estratégicas para atrair novos negócios este ano.

Segundo o diretor-executivo do Centro de Integração e Desenvolvimento (Cide) e titular da regional de Cubatão do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Valdir José Caobianco, o polo concentra empresas dos segmentos mais representativos e possui área retroportuária de “grande interface” com o Porto de Santos.

“Temos potencial para crescer ainda mais e, consequentemente, sermos mais competitivos para concorrer com o mercado externo”, afirma ele.

Para atrair negócios, as entidades da indústria, em parceria com a Prefeitura, lançaram no ano passado o projeto Cubatão – A Fábrica de Oportunidades.

O programa consiste no trabalho do Condomínio Industrial na busca por indústrias de transformação para Cubatão. Os representantes do Cide e Ciesp já visitaram câmaras de comércio estrangeiras instaladas no Brasil para divulgar o potencial do Polo.

A expectativa é que esses primeiros contatos fomentem a instalação de unidades de multinacionais.

O polo tem o trunfo de produzir por meio de cinco grandes setores industriais: petroquímico, siderúrgico, químico, fertilizantes e logísticas, além da produção de energia e prestação de serviços.

 

Combustíveis

Há produtos consumidos no País que são feitos apenas em Cubatão, como a gasolina de aviação, usada nos aeroportos e pelas aeronaves do agronegócio. Há ainda o coque calcinado, nitrato de amônia (fertilizantes) e soda anidra e benzeno, este último destinado ao setor de lubrificantes.

Caobianco ressalta que o polo ainda tem espaço para receber novas indústrias – há 2,5 milhões de metros quadrados disponíveis.

O condomínio industrial aponta 11 motivos para uma companhia se instalar em Cubatão. Por exemplo, há malha abundante de energia, com a usina hidroelétrica Henry Borden e termelétricas, e água.

Além disso há localização estratégica com malha logística no entorno (porto, ferrovia, rodovia e aeroportos), muitas universidades e cursos diversificados, ligação com o maior mercado consumidor do País, São Paulo, e um já consolidado programa de sustentabilidade ambiental.

“Temos a convicção de que a cidade é um dos pontos estratégicos para a retomada do crescimento do País”, conclui Caobianco.

 

Mais eficiência e menos custos em Cubatão

O condomínio industrial é uma inciativa do Centro de Integração e Desenvolvimento (Cide). O objetivo é integrar a gestão do Polo de Cubatão para, entre várias frentes, reduzir custos em serviços e equipamentos comuns a todas as companhias.

São processos de transporte, saúde e segurança. Com operações integradas e eficientes, o polo poderá maximizar suas vantagens e combater seus gargalos, conquistando mais competitividade e atraindo novos negócios.

O Cide reúne os presidentes das indústrias do polo. A proposta de criação do condomínio surgiu durante o encontro dos dirigentes industriais no Sindicato da Indústrias de Produtos Químicos  para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim).

Em evento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), no ano passado, o condomínio lançou o programa Cubatão – A Fábrica de Oportunidades.

Neste ano, a ideia dos dirigentes industriais é aproveitar a melhora da economia, com aumento da confiança do empresariado, para atrair indústrias de transformação para Cubatão.

“É o momento de aproveitar essa fase e mostrar que Cubatão está pronta para receber novos empreendimentos”, diz o diretor do Cide e Ciesp-Cubatão, Valdir Caobianco.

 

Mão de obra

13 mil empregos eram mantidos pelas empresas do Polo de Cubatão em 2017;

123 milhões de dólares em encargos sociais foram pagos pelas indústrias do Polo de Cubatão no ano passado;

23 por cento dos empregos do Polo de Cubatão eram mantidos pelo setor de fertilizantes em 2017.

 

 

Entrevista

Valdir José Caobianco – Diretor executivo do Cide e diretor titular do Ciesp de Cubatão

A melhora dos indicadores econômicos e o novo governo geraram expectativa de mais negócios em Cubatão. Confira entrevista com o diretor das entidades, Cide e Ciesp, que presentam as indústrias do polo, Valdir Caobianco.

 

Qual a expectativa de investimentos no Polo em 2019?

O Centro de Integração e Desenvolvimento (Cide), com apoio do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional de Cubatão, e Prefeitura, está promovendo o programa Cubatão – A Fábrica de Oportunidades. A iniciativa visa atrair indústrias de transformação para o maior Polo Industrial da América Latina no segmento matéria-prima, que conta com infraestrutura e incentivos fiscais do poder público. Com a instalação de novas indústrias, geram-se, consequentemente, oportunidades de emprego e desenvolvimento do comércio local.

 

O que o novo governo pode fazer frente à competitividade das empresas?

As empresas do polo são competitivas e trabalham com o máximo de resultados em condições de competir com o exterior, mas convivem com juros excessivos, altos custos de energia e de insumos, além da elevada carga tributária. Ainda compete de maneira desigual com a entrada constante de produtos importados sem barreiras logísticas e, em alguns casos, ainda com preços subsidiados na origem.

 

O novo governo é contra incentivos e isenções. A indústria do polo está preparada para enfrentar um mercado aberto?

Temos potencial para crescer ainda mais e, consequentemente, sermos mais competitivos para concorrer com o mercado externo. Com o novo governo continuaremos atuando firmes por meio do diálogo em todos os fóruns que o Cide está presente na busca por avanços sustentáveis.

 

 

Fonte: Jornal A Tribuna – Caderno da Indústria